segunda-feira, 25 de março de 2013

Notas soltas

Mission accomplished:

Bruno de Carvalho e os seus mais fervorosos fãs conseguiram a sua grande missão, de há dois anos para cá: vencer os inimigos internos, os situacionistas, a corja, a promiscuidade, os conflitos de interesses e a continuidade. Batê-los e tirá-los do Sporting.
Seria bom, para o SCP, que essa fibra também se demonstrasse daqui para a frente contra os inimigos externos. É que bater o SCP de Godinho Lopes ou o projecto de JPC é uma brincadeira de crianças quando comparado com bater o Porto de PdC, o Benfica de Jorge Jesus e/ou o Braga de António Salvador e Peseiro.

Bruno de Carvalho, durante 2 anos, elevou imenso a fasquia. Cair-lhe-á agora a exigência em cima. Teve 2 anos para se preparar e os sócios informados, esclarecidos e verdadeiramente sportinguistas não tiverem dúvida nenhuma de que Bruno de Carvalho é a opção certa para o Sporting. Os outros (situacionistas, lambuças e/ou desinformados) farão a Bruno de Carvalho aquilo que os seus apoiantes fizeram a Godinho Lopes – não tolerarão erros, falhas, derrotas. Estarão sempre ao ataque.

Eu estou fora, porque o meu SCP não nasceu na madrugada de 23 de Março: o meu SCP (o nosso SCP, porque o de mais uns quantos) é o dos sócios. O que viveu bons e maus períodos, o que teve vitórias e derrotas, o que teve o JEB e o Godinho ou o que tem o Carvalho. O das direcções eleitas pelos sócios. O dos R & C aprovados pelos sócios. Identificar-me mais ou menos com o Clube não é um pormenor, mas não me leva a não aceitar as decisões (soberanas) dos sócios, a desvalorizar e insultar quem pensa diferente de mim ou a ver um Sporting «nosso» e um Sporting «deles».

Tenho actualmente uma professora no Ensino Superior, de História Contemporânea, que me disse a semana passada: «aquilo que tem mais medo, no mundo, é das pessoas que têm certezas e não têm dúvidas». O BdC não teve nem tem dúvidas. Os seus apoiantes estão tão seguros que não concebem – nem nunca conceberam – que possam estar errados, e que os outros tenham razão. Tenho medo que tenhamos eleito um “mini-ditador”, suportado por outros mini-ditadores. Um «José Sócrates», com a oratória, o populismo, a demagogia, a inflexibilidade e a incapacidade. Mas cá estarei e respeitarei a vontade dos sócios. Pelo Sporting.. sempre!

«Agora mandamos nós. O Sporting é nosso outra vez» (Bruno de Carvalho)
Ou o Sporting só é nosso quando i) ganha; ii) tem um candidato com um discurso popular; iii) está eleito o verdadeiro representante do verdadeiro SCP.

Quando o SCP perde ou empate, é o Sporting «deles». O Sporting «deles» é medíocre e pouco ambicioso. O Sporting «deles» é escolhido pelos interesses, o nosso pelos votos de verdadeiros sportinguistas.
Ou, numa síntese, o Sporting só é “nosso” quando os sócios “acordam” e votam em quem, com menos de 60% dos votos, é o seu único e verdadeiro representante.

Para quem não “ganhou por goleada”, começar com um discurso divisionista (entre os sócios que hoje elegeram BdC e os que anteriormente votaram na “corja”; ou mesmo entre Clube e bancos) é capaz de não ser boa ideia. E obriga a ganhar: caso contrário «eles» - os outros sócios e a banca - são capazes de ter pouca tolerância às derrotas e empates.

«A formação por si só não vai chegar para a grandeza do Sporting (…) Se há reforços identificados? Algumas coisas…» (Augusto Inácio)
Será que AI conhece a folha de vencimentos dos actuais jogadores com que o SCP tem contrato (no plantel, na formação e actualmente emprestados a outros clubes)?

Será que AI já sabe que treinador terá o SCP na próxima temporada? Não é capaz de ser melhor primeiro focar-se na questão do treinador (é capaz de ser bem pensado não contarem com o JF…) e só depois debruçar-se minimamente sobre possíveis reforços? São, por tudo, declarações prematuras e pouco responsáveis.
De qualquer forma, como diz um meu amigo sportinguista, as esperanças (a existirem) residem em Virgílio Lopes. Porventura também no Tomaz Morais (apesar de o futebol não ser a sua “praia”) e o incógnito da Academia (dependendo de quem seja). O resto, para o positivo, pouco conta.


Reinventar o que o SCP faz bem
Li, no FórumSCP, que se falava do Bento Valente como aposta do JPC para a formação do Sporting. A importância de se melhorar e reinventar não é real apenas nas áreas em que o Sporting trabalha mal, é também nas áreas em que o Sporting pode trabalhar melhor.

As estruturas devem mudar, mas partir com ideias feitas e inalteráveis para o Clube, por várias razões, é capaz de ser pouco recomendável. Sob pena de se mudar para pior, com custos (desportivos e financeiros) difíceis de ultrapassar.

domingo, 17 de março de 2013

Eleições SCP


Carlos Severino:

A questão do “voto útil” é, para mim, complicada. Penso que foi o Adriano Moreira que, um dia, disse que “o voto só é útil para quem o recebe”. Não terão sido as palavras exactas, mas o sentido foi esse. Eu percebo, mas acho que é um ponto de vista redutor. Tanto quanto, por exemplo, aquele que defende a necessidade absoluta de exercer um voto útil para escolher “o menos mau”. Por norma, e fá-lo-ei também aqui, pergunto-me: “identifico-me suficientemente com indivíduo x para votar nele, sabendo que não tem hipóteses de ganhar, correndo o risco de que vença o candidato com que menos me identifico?”. Aqui, a resposta será sempre um rotundo não. Talvez Carlos Severino merecesse (porque é um candidato, como os outros) que desenvolvesse as razões pelas quais a resposta à pergunta é não, mas– pelo menos neste espaço, e não sendo interpelado para tal – não o farei. Fico-me, por isso, por aqui.

José Peyroteo Couceiro:

José Couceiro faz-me lembrar Sérgio Abrantes Mendes. É a primeira ideia que tenho quando o oiço e quando leio o que diz. E faz-me lembrar SAM porque tem uma leitura genericamente correcta daquilo que levou o SCP até esta situação, e daquilo que o SCP precisa para ser tirado desta situação. Competência na gestão desportiva, porque o Sporting é um clube desportivo. Reconhecimento de erros factuais, verificáveis e que foram os decisivos para que o SCP esteja hoje numa situação grave. Há muito mais, no seu léxico, de “competência”, de “gestão desportiva”, de “decisões” e de “rumos” do que de “Continuidade”, “promiscuidade com a banca” e “auditoria de gestão”. E é em grande parte por aí que, face à maioria dos comentadores sportinguistas, marca a diferença – JPC foca-se nas principais causas do actual estado do Clube e na forma de sair desse estado. Há poucas questões de sportinguismo, de amor ao Clube, de Passado associativo, de relações com a banca, de contas com o Passado e de ameaças judiciais, há muito mais de erros desportivos, de gestão errática, de alterações estruturais na gestão desportiva e de necessidade de se ser capaz de convencer os outros (banca, sócios e adeptos, funcionários).

Porém, JPC falha por não me parecer ser capaz de perceber as pequenas coisas que, juntas, dão origem ao problema que (e muito bem) reconhece como principal causa para o estado do Clube. JPC sabe que o Clube tem sido mal gerido, mas – como os outros – parece-me não saber exactamente nem porquê, nem em quê. JPC, como SAM, é uma pessoa que se destaca da maioria quando fala sobre o Clube: a postura, o sentido de responsabilidade, a capacidade de centrar o discurso sobre as grandes questões do Sporting. Parece-me, porém, incapaz de agir sobre elas devidamente. Isso torna-o uma pessoa que compreende o funcionamento de um Clube, e aquilo que tem de acontecer para que seja bem sucedido, mas também o torna incapaz de ser uma solução suficiente para assumir o SCP. Sobretudo no modelo presidencialista que parece querer implementar. Isso também o torna mais capaz para Presidente do que para Director de Futebol ou Treinador. Mas não o torna suficientemente capaz.

Há ainda algumas incongruências que me confudem. Couceiro entende que há problemas de tesouraria presentes. Couceiro diz ser capaz de resolver esses problemas actuais. Couceiro diz ser capaz de reestruturar o Clube e a SAD, trazer-lhes competência e boa gestão, e torná-los exemplos. Depois disto tudo, apetece perguntar para que servem os investidores e como é que se equaciona sequer ceder a maioria da SAD. Ou o naming para o Estádio. Se alguém se proclama como um indivíduo capaz de resolver as questões actuais e futuras, pagar as dívidas e ter sucesso desportivo/financeiro, para que é que serve trazer capital, investidores minoritários e maioritários? Se, como diz, as questões estruturais só se resolvem com competência e boa gestão, e se se considera competente e bom gestor, não resolverá assim (e sem trazer investidores externos) os problemas? Não será capaz de atrair parceiros e investidores minoritários a boas condições para o Clube? Faz pouco sentido.

JPC é, para mim, o mal menor. Mas, sendo o mal menor, não é bom. Suficientemente bom, pelo menos. E é por isso que dificilmente votarei nele. Também aqui (embora menos) o “voto útil” não me convence. Uma última razão, menos nobre e de que me envergonho, é que ganhar o seu principal adversário pode trazer, a longo prazo, vitórias para o SCP: da mesma forma como a vinda de Vercautaren trouxe vantagens por aquilo que era o discurso pré-FV (o treinador estrangeiro, com títulos, que não fosse excessivamente caro nem ultrapassado). Ou da mesma forma que a presença de Oceano na Equipa A, durante um mês, serviu para reduzir “a importância de ter símbolos nas equipas-técnicas do Clube”, por exemplo.

Bruno de Carvalho:

Tal como JPC, Bruno de Carvalho não me parece ser alguém capaz de inverter o paradigma de gestão desportiva do SCP. Muito menos de fazê-lo (muito) bem. O problema é que, face a Couceiro, parece nem sequer compreender como se gere um Clube desportivo e o que é que é o fundamental para que um Clube desportivo seja bem sucedido.

Bruno de Carvalho pega no SCP e quer dizer muitas coisas, explicar muitas coisas, o que acha que tem de mudar e como acha que tem de funcionar o Clube. É aí que se mostra totalmente incapaz. Desconfio que, se Bruno de Carvalho falasse só da Gestão do Clube, presente e passada, de uma forma geral (e nunca com medidas concretas), diria as coisas erradas e focar-se-ia nas generalidades erradas. Ou melhor, não é só desconfiança, porque é o que mostra muitas vezes. Noutras, gosta de ir ao âmago das coisas, gosta de se debruçar sobre as especificidades e as questões concretas do Passado e do Presente. Aí, mostra que não só não percebe as coisas básicas, como quer debater e discutir coisas específicas, que oscilam entre banalidades e baboseiras. Bruno de Carvalho não é apenas pouco assertivo na percepção/discussão das coisas básicos e dos lugares-comuns, é também alguém que já mostrou ser incapaz de fazer coisas boas. Se outros, como Couceiro, se preferiram resguardar naquilo que são bons (entender um Clube desportivo) – mas se percebe, pelo que não dizem e pelo que conhecemos deles, que são incapazes de fazer do SCP um Clube bem gerido – BdC faz questão de demonstrar que não percebe as coisas básicas e que não será capaz de, nas pequenas coisas, fazer a diferença e mudar o rumo do SCP.

Tal como no caso do Severino, ou mesmo no do Couceiro (que é mais difícil de particularizar: visto que este me parece ser incapaz de tornar o SCP num Clube competente e bem gerido sobretudo pelo que não diz, e pelo Passado que dele conhecemos), não particularizei as razões pelas quais teço estas considerações sobre Bruno de Carvalho. Isso não significa que não me baseio em nada para o dizer; significa que não desenvolvo aquilo em que me baseio para o fazer. Não é que o tenha de fazer (não tenho), nem que moralmente o deva (não quero convencer ninguém, não só mas também porque poucos são os que estão dispostos a ser convencidos). Não me importaria de o fazer. Mas isso obrigar-me-ia a um acompanhamento mais próximo das declarações das pessoas na campanha; obrigar-me-ia a uma análise dos programas eleitorais. E eu faço-o, mas para mim: o esforço que implicaria partilhá-la com os outros seria bastante grande, porque o raciocínio mental e pessoal é 1000 vezes mais rápido e fácil – ainda que muita gente ache o contrário, da mesma forma que também acha que o raciocínio é dispensável. Como não tenho especial interesse em fazer esse esforço suplementar, porque “hoje” não me identifico com o Sporting nem com os sportinguistas, poupo-me a isso.

PS - Relativamente à MAG, CFeD e CL ainda nada decidi. E não pensei muito nesses pontos (fi-lo, mas não o suficiente por exemplo para partilhar aqui reflexões, nem grandes nem pequenas). No CL, gostei das declarações do candidato da lista do BdC (João Mesquita Trindade). Porém, não gosto de muitos dos membros da lista. Mas ou votarei nessa lista, ou em branco. Na do Severino não votarei de certeza. Na MAG, não votarei seguramente na lista do BdC nem na do JPC. Gostei das declarações do Carlos Teixeira (lista do CS). Tenho dúvidas, que resultam simplesmente de se identificar com as ideias do Severino, mas provavelmente votarei nele e restante equipa. Para a função, parecem-me capazes. Para o CFeD, não votarei seguramente na lista do JPC nem na do CS. Oscilo entre a lista do BdC (o Jorge Bacelar Gouveia parece-me alguém minimamente capaz, não sei se o suficiente) e a lista Independente (reconheço a muitos dos seus membros grande validade, mas há outros com que não me identifico minimamente e parece-me que poderão ser um foco de oposição, mais que independência, se for JPC a vencer as eleições - algo que duvido que aconteça).

domingo, 17 de fevereiro de 2013

Umas quantas notas

Aposta nos jovens e consequências:
 
Mais do que para a equipa (porque não me parece que os jovens da Equipa B que entraram na Equipa A sejam um acrescento de qualidade generalizado face aos últimos), é importante pensar nas consequências dessa aposta nos jogadores e no seu percurso individual.
O ideal seria, claro, que entrassem na Equipa num contexto colectivamente mais propício. Porém, será assim tão grave que o façam não estando preparados? Sê-lo-ia de certeza, em tempos. Hoje, parece unânime que qualquer jogador da formação pode errar e deve ser apoiado, pelo que qualquer um que entre na Equipa Principal (seja bom, mediano, ou mau), não sofre o que outros terão, em tempos, sofrido. A grande questão é: será efeito de novidade? Isto é, mais que por serem da formação, será por isso e sobretudo por serem algo de diferente daquilo que já existia? É preciso pensarmos nisso, quando vemos as críticas ao Cédric, ao Adrien, ao Carriço (antes de sair) e ao Pereirinha (antes de sair). Terão os “novos delfins” mais capacidades que estes? E, não o tendo, não serão mais tarde alvos do mesmo tratamento – ou de pior tratamento? Confesso que, quanto a isto, tenho algumas dúvidas. Mas falando de casos individuais:
- Eric Dier: Está preparado. Jogará sempre melhor que o parceiro, seja ele qual for, pelo que não terá de se preocupar muito em ser futuramente um alvo para a frustração.
- Tiago Ilori: Cometeu um erro com o Leiria, o ano passado, e foi apoiado. Fê-lo hoje, e foi apoiado. Mas será sempre assim? Quando os cometer em jogos decisivos? E quando esses erros se reflectirem num resultado adverso? Tem potencial: é bom técnica e fisicamente, e mostra durante grande parte do tempo saber o que deve fazer. Precisa de ser mais concentrado, agressivo e ter mais “conhecimento” na cabeça, que só ganhará com muitos jogos. De preferência, longe dos holofotes.
- Zézinho: Um dos que, na sua posição, é inferior a várias das soluções existentes. Jogando outro, a equipa poderá melhorar (ainda que apenas um pouco), e por isso não deve ser aposta. Mais do que consequências para si, a aposta no jogador poderá trazer consequências para a equipa e, portanto, também para os outros jovens.
- Bruma: Apesar de ter gostado mais de o ver hoje que noutras ocasiões (parece-me que evoluiu), parece-me que está na mesma situação de Zézinho. Há Jeffren, Carrillo e Labyad, pelo que não há pressas em apostar de forma definitiva num jogador. A aposta firme não compensa o risco de se perder. Porém, querem fazer dele uma estrela a qualquer custo. Veremos se o Sporting aposta ou não nele, no imediato. Qualquer opção me parece ter consequências bem negativas…
 
A incompreensão de coisas importantes:
André Carrillo parece ser um exemplo de um jogador com quem a maioria das pessoas embirrou, e por isso deixou de ter paciência. É, hoje, invariavelmente criticado – o que se reflectirá obviamente na sua confiança e prestação. Quando digo que a maioria das pessoas embirrou consigo não quero dizer que estão erradas nos defeitos que lhe apontam, mas que apenas vêm neles esses defeitos, e nenhumas virtudes importantes. Primeiro, é preciso falar de Bruma: não admiraria que os defeitos de Bruma, hoje provavelmente mais visíveis que a médio-prazo (embora se devam manter, apenas em graus diferentes), viessem a ser apenas o que nele se vê, quando os adeptos se “cansarem” dele. Se foi assim com Carrillo, seria perfeitamente normal que assim acontecesse com o Bruma.
Mas, sobre as qualidades do peruano, pode-se dizer que se verificaram hoje. A quantidade de vezes que apareceu com a bola nos pés foi grande, diria que maior do que a de qualquer outro jogador do meio-campo para a frente. Isto não se deve ao acaso, deve-se ao facto de ser o jogador que mais apoia e dá opção de passe a quem tem a bola. Foi sempre procurar receber com segurança, entregando bem e voltando depois a mostrar-se. É caso para dizer que, na construção e organização (se calhar, precisamente onde lhe apontam mais defeitos), é muito bom – e é bom que o Sporting tenha um jogador do meio-campo ofensivo que seja nisso muito bom. Não esteve tão bem na forma como abordou os lances quando mais adiantado: tem qualidade técnica, criatividade e remate para ser um perigo constante e criar mais desequilíbrios, e houve alguns momentos (não muitos) onde podia ter dado usso a essas qualidades, e erradamente não o fez.
 
Controlo:
O Sporting foi incapaz de controlar os acontecimentos. E aqui há dois ângulos a analisar:
- Colectivo: O Sporting oscila ainda muito entre momentos em que está organizado (e são ainda poucos…) e momentos em que parece “voltar ao Passado”. Com o tempo, a equipa tornar-se-à provavelmente mais constante e sólida: aquilo que faz bem, só o faz há pouco tempo, pelo que é de esperar uma crescente qualidade.
- Individual: O Sporting tinha ontem poucos jogadores em campo com capacidade para resolver os problemas, ou “buracos”, que iam surgindo em campo. Particularmente pela capacidade de ocuparem os espaços certos, no meio da desorganização, e a capacidade para manterem em equipa menos tempo a defender. Um estava castigado, o outro entrou no final do jogo. Rinaudo não o faz, embora num bom contexto seja ímpar. Schaars fá-lo, como Adrien, mas não tão bem como André Martins.
 
Jogo de ontem e “o novo rumo”:
É preciso perguntar algumas coisas: apostar nos jogadores tão cedo implica (ou deve implicar!) que sejam desde logo mais considerados, a começar pelo contrato que têm. Isso permitirá uma redução de custos assim tão grande, que justifique uma igualmente perda de competitividade?
O Sporting ontem teve um melhor resultado porque marcou mais golos. Não jogou mais. E, se jogou sequer o mesmo, isso deveu-se em parte ao facto de quem ter entrado em campo ter tido uma ambição de se mostrar e uma confiança que nenhum dos colegas da A teria. Mas não é durável, é circunstancial. O que é durável é a qualidade. Que Sporting queremos ter?

Mas, sobre o rumo, o fundamental não está dito. Fá-lo-ei mais tarde, quando abordar as eleições e o futuro do Sporting.

sábado, 19 de janeiro de 2013

Decisões complicadas

Desde o meu último artigo, Vercauteren saiu – mais que uma boa decisão, foi uma decisão que corrigiu uma anterior que o não foi: a sua vinda. A sua saída foi antes a decisão lógica, ou a decisão necessária. Até aqui, tudo normal. Entrou, para o seu lugar, Jesualdo Ferreira – que assumiu a função. Até aqui, tudo normal para todos. Ou quase.
 
A equipa vai aumentando, aos poucos, a sua qualidade de jogo e competitividade - os resultados vão acompanhando essas mudanças. Não me admiraria, igualmente, que a equipa continue a evoluir semana a semana, atingindo níveis exibicionais e resultados condizentes não com aquilo que são os seus objectivos para o que falta da temporada (chegada à Europa) mas até com aquilo que é a qualidade própria de quem tem objectivos maiores – discutir o título, talvez; seguramente estar no pódio, pelo menos.
 
O Sporting tem jogadores para pelo menos isso e Jesualdo Ferreira é suficientemente bom naquilo que um treinador tem de ser bom para o almejar – e para o conseguir.
 
Mas isto não leva a que considere esta mudança positiva. Ou melhor, é-o apenas na medida em que o cenário é hoje melhor que anteriormente (sabemos todos que era péssimo); não o é estruturalmente, para mim – não considero que seja uma solução suficientemente próxima da ideal (que, essa, será sempre utópica). Não só esta mudança não teria sido a minha, como, respeitando-a, a acho um equívoco que trará problemas para a organização do futebol no futuro. E vou explicar porquê.
 
Jesualdo Ferreira chegou ao Sporting com uma função que não é de todo desconhecida (já existiu no Passado existe actualmente no Sporting noutras áreas do futebol – futebol formação) mas que é pouco usual no futebol sénior dos clubes. E será talvez ainda menos usual ser publicamente assumida. Mas não é, como aliás disse no artigo anterior, uma função errada. É uma função que faz sentido, um modelo de gestão que se percebe mas que foi implementado num contexto complicado. Possivelmente, Vercauteren limitou (e com naturalidade) as funções de Jesualdo, o que levou a que os comportamentos da equipa de futebol continuassem inalteráveis. Mas o ponto que aqui queria referir é que Jesualdo chegou ao Sporting para ser o homem forte do futebol e ter autonomia de decisões sobre todo o futebol. Teve predefinida uma abrangência enorme: não só teria como função delinear os rumos do futebol do Sporting, como também poderia interferir na implementação prática desses rumos. Pelo menos, assim me pareceu.
 
Não me pareceu que tivesse vontade de vir ser o treinador-principal da equipa. E não me parece que, tendo um poder deste nível, fosse interessante colocá-lo no lugar de treinador principal. Por isso pensei, no momento em que se percebeu que a continuação do treinador belga era um entrave à evolução da equipa, que fosse essa a escolha: Jesualdo, como elemento com um poder alargado e abrangente sobre o futebol do SCP, escolheria um treinador da sua confiança, que cumprisse os requisitos que considera fundamentais, acordando com ele trabalhar da forma que havia idealizado fazer com Vercauteren (e que não chegou a existir, porque a equipa não mudou, nem para melhor – como era provável acontecer – nem sequer para pior – como era pouco provável, mas ainda assim, enfim, possível…).
 
Ora, para mim, a mudança de cargo de Jesualdo Ferreira traz um problema – por mais que cumpra os requisitos necessários para um treinador principal, e por mais que seja um individuo que continue a ter o mesmo elevado nível de conhecimento e entendimento do futebol, as suas funções anteriores ou ficam esvaziadas (isto é, deixa de haver no Sporting alguém que pense o futebol de uma forma global e abrangente) ou continuam em si depositadas, agora enquanto treinador principal da equipa sénior. Nenhuma opção me parece boa – o Sporting precisa de alguém que pense o seu futebol (ainda pudesse não ter a interferência que JF contava ter na implementação prática, no dia-a-dia, do que idealizava – seria talvez até aconselhável que assim fosse) e esse alguém não pode ser o treinador principal da sua equipa sénior. Melhor dizendo: poder claro que pode, mas não deve.
 
A minha solução seria portanto Jesualdo Ferreira escolher um treinador da sua confiança para substituir Vercauteren e definir a partir daí se alguns pormenores (ou pormaiores) das suas anteriores funções se manteriam ou não – refiro-me aqui à tal intervenção directa e prática no dia-a-dia do futebol do clube. As ideias gerais, porém, permaneceriam sempre inalteráveis - Jesualdo manter-se-ia como o grande estratega (directo ou indirecto, por assim dizer) do abrangente futebol do Sporting, porque o Sporting necessita de quem o faça exclusivamente e profundamente, e porque haveria para o cargo poucas opções melhores que si próprio.
 
Jesualdo não durará sempre e o seu legado no Sporting será bom em campo, mas temo que circunstancial – assim que decida terminar a sua carreira de treinador, o Sporting ficará provavelmente na mesma situação em que estava antes da sua entrada: não possuirá nem treinador, nem terá “ferramentas” (ou meios) para ter uma elevadíssima probabilidade de acertar nessa escolha. Não tinha de ser assim, porque o trabalho que Jesualdo poderia fazer noutro cargo, de forma exclusiva e com funções perfeitamente adequadas ao posto, poderia ter como legado um longo período de boas decisões desportivas e futebolísticas.
 
O Sporting melhorou muito, mas os bons jogos/resultados, que se avizinham, parecem demasiado circunstanciais para o que poderiam estruturalmente vir a ser.
 
PS - Os negócios de Izmailov/Miguel Lopes e Daniel Carriço. O primeiro foi um mau negócio, o segundo foi igualmente mau. Não estranho que Miguel Lopes no imediato seja uma boa solução (vem trazer à equipa o que ela não tinha) mas penso que, com o tempo, não só o CS lá chegará como irá até mais longe. E  a chegada do português implica muito provavelmente a saída de Bruno Pereirinha, que era um solução melhor (e que não seria mais cara). Relativamente a Carriço, não sei se o Sporting está a pagar o salário do Xandão (é provável que esteja) e se o Boulahrouz não tinha propostas. Não acho o segundo um mau jogador, e acho o primeiro um jogador que evoluiu muito desde que chegou (não o fez apenas nos atributos técnicos, que são fundamentais mas onde será sempre medíocre). Porém, Carriço é melhor que qualquer um. E era o capitão, também - um dos maiores símbolos do futebol actual do Sporting, pelo que é a custo que o vejo partir. 750 mil euros justificam 6 meses com Xandão em vez de 6 meses com Carriço?

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Jesualdo Ferreira e um novo modelo de gestão no futebol

É preciso, da parte de quem dirige (…) capacidade para se questionar, repensar opções, entender que há pessoas que percebem mais do fenómeno em causa (futebol). É preciso delinear finalmente um plano, e é preciso que se dê autonomia de decisão a quem percebe do fenómeno e acredita nesse plano. É preciso repensar o método de escolha das equipas técnicas. É preciso coragem, porque são muitas as boas decisões que inicialmente são impopulares. E é preciso convicções porque sem elas o Sporting não ganha jogos de futebol de forma sistemática.

Escrevi isto na minha última mensagem aqui no blogue, há 21 dias atrás. É portanto natural que esteja satisfeito com a escolha de um gestor técnico para o futebol do Sporting – não podem ser os advogados, os jornalistas e os gestores financeiros a tomar opções de carácter futebolístico (terão porventura – não todos – competências para gerir outras áreas, para tomar outro tipo de decisões: o Sporting é um universo grande mas com especificidades que só quem as domina pode fazer nelas um bom trabalho).

Há um problema neste novo modelo: a situação actual é para ele pouco propicia. Presumimos, porque não o sabemos, que o treinador Vercauteren veio para o Sporting preencher determinadas funções e não esperaria a vinda de alguém que interferisse com o seu trabalho. Jesualdo fá-lo-á: as declarações de Godinho Lopes do próprio assim indicam. Esperemos que exista sensibilidade para que o novo coordenador do futebol do Sporting e Vercauteren não choquem – trabalharem em conjunto parece-me ser, por si só, um desafio (a qualidade do trabalho será outra questão).

Passamos então do novo modelo (e do contexto em que surge) para o novo coordenador de futebol, Jesualdo Ferreira.

O ponto inicial que realço é a capacidade revelada por Godinho Lopes de ouvir os outros (ou melhor, mais que ouvir os outros, ouvir/ter em conta a opinião de pessoas inteligentes e conhecedoras do que falam - é um bom princípio).

Sigamos para a assertividade da escolha de JF. Não conheço profundamente Jesualdo, e talvez por isso (ou não) tivesse outros preferidos para o cargo. Mas conheço minimamente o trabalho que costuma desenvolver no futebol – e esse é bom, sem ser brilhante. Sabe organizar e estruturar equipas no campo, conhece a realidade em que vai trabalhar. Estudou o futebol de forma aprofundada, e isso, ainda que não sendo garantia de nada (pode-se conhecer as bases, não se sabendo muita coisa; tal como se pode conhecer a teoria sem se fazer ideia de como a aplicar à prática – não me parece ser o caso), é positivo.

Espero, portanto, duas coisas:

1) Que Jesualdo Ferreira consiga relacionar-se bem e trabalhar em conjunto com as equipas técnicas das equipas de futebol do Sporting (sobretudo com a da equipa principal), ajudando-a e sendo assim também ajudado por ela

2) Que dessa cooperação e boa relação resulte um trabalho profícuo e transversal às várias equipas de futebol do Sporting


O momento é muito complicado, e Jesualdo Ferreira não é garantia de ser o que o Sporting precisa para dar um rumo ao seu futebol. Mas poucos – ou nenhuns – o seriam. E, entre as que conheço, não seriam muitas as pessoas mais habilitadas para tal cargo que o prof. Jesualdo Ferreira.

É o regresso da coordenação do futebol do Sporting a figuras que o dominam. A pessoas que estão simultaneamente na sua vertente teórica e prática há muito tempo. E isso - ainda que não chegue - já é muito.

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

O (futebol do) Sporting é um deserto:

Quase total. Não apenas de resultados recentes, mas sobretudo de ideias.

Da parte de quem dirige, não se percebe muito bem o rumo do futebol – que semelhanças têm Sá Pinto e Vercauteren? Ou Luís Duque e Paulo Farinha? Existirá algum plano de fundo quando se acredita e aposta, num curto prazo de tempo, em pessoas de perfil tão diferente para o mesmo cargo?

Da parte de quem critica, falta o básico – pensar. Perceber o que se tem feito de mal (fundamental para melhorar) e o que se tem feito de bom (fundamental para não piorar). Como procurar construir o que quer que seja, tendo coisa nenhuma como base?

Está-se a aproximar a hora de quem dirige acertar nas decisões e ter resultados. Porque é a última oportunidade que terão – o futebol este ano tem tido resultados para lá de péssimos, e é preciso trazer de novo aos sportinguistas a alegria dos primeiros tempos de Domingos Paciência ou da campanha europeia de Sá Pinto. Mas com um método menos “temporário” – um que garanta apenas alegrias “a prazo” já não serve (o tempo para isso já passou).

Com todo o respeito para Vercauteren, não é uma opção que pareça a indicada para sucessos duradouros. Por várias razões - a principal é o deserto de ideias que a equipa de futebol tem apresentado, a forma como parece sempre pouco unida (este jogo em Basileia foi muito semelhante ao jogo que o Sporting de Sá Pinto disputou com o Estoril este ano – jogo esse em que o Sporting abdicou do que de bom vinha fazendo até aí, ficando só o mau).

É preciso, da parte de quem dirige (não apenas, mas também porque isso não existe na maioria dos mais acérrimos críticos) capacidade para se questionar, repensar opções, entender que há pessoas que percebem mais do fenómeno em causa (futebol). É preciso delinear finalmente um plano, e é preciso que se dê autonomia de decisão a quem percebe do fenómeno e acredita nesse plano.

O futebol do Sporting precisa urgentemente de um rumo. Até ao fim da temporada, seria bom que Vercauteren elevasse a equipa para níveis mínimos – e isso implicaria ter também ele de ter as qualidades acima referidas. Chegar à Europa e começar a acertar nas decisões futebolísticas. Ou dar a vez a outros.

Há portanto para quem dirige um desafio que pode ser o início desse plano/futuro (sendo dificilmente mais que isso). Fazer esta equipa evoluir até patamares mínimos e terminar a temporada sem manchar excessivamente os pergaminhos do futebol do SCP.

 Mas é de seguida necessário escolher um bom treinador (mais que nós, os nossos maiores rivais conhecem, por experiência própria e actual, a importância que um treinador tem nas prestações da sua equipa de futebol). E aí é preciso menosprezar os critérios que levaram à contratação de Vercauteren (estrangeiro, “créditos firmados”, com títulos). Porque poucos aliam esses critérios a uma capacidade actual para treinar o Sporting (e quase nenhuns estão disponíveis para o cargo). André Vilas Boas, José Peseiro e Jorge Jesus são exemplos de treinadores que, quando chegaram a um grande, não eram estrangeiros, não tinham títulos importantes e não eram garantia de sucesso. Mas eram bons e fizeram um bom trabalho.

Quem dirige deve ter estes exemplos em atenção. Sobretudo num mês em que Carlos Carvalhal, Mauricio Pochettino (Espanhol) e Unai Emery (Spartak) foram despedidos dos seus clubes (já aqui tinha referido o segundo; e, à data, não imaginava que o primeiro e o último estivessem agora disponíveis).

É preciso repensar o método de escolha das equipas técnicas. É preciso coragem, porque são muitas as boas decisões que inicialmente são impopulares. E é preciso convicções porque sem elas o Sporting não ganha jogos de futebol de forma sistemática.