quarta-feira, 23 de janeiro de 2013
sábado, 19 de janeiro de 2013
Decisões complicadas
Desde o meu último artigo, Vercauteren saiu – mais que uma boa decisão, foi uma decisão que corrigiu uma anterior que o não foi: a sua vinda. A sua saída foi antes a decisão lógica, ou a decisão necessária. Até aqui, tudo normal. Entrou, para o seu lugar, Jesualdo Ferreira – que assumiu a função. Até aqui, tudo normal para todos. Ou quase.
A equipa vai aumentando, aos poucos, a sua qualidade de jogo e competitividade - os resultados vão acompanhando essas mudanças. Não me admiraria, igualmente, que a equipa continue a evoluir semana a semana, atingindo níveis exibicionais e resultados condizentes não com aquilo que são os seus objectivos para o que falta da temporada (chegada à Europa) mas até com aquilo que é a qualidade própria de quem tem objectivos maiores – discutir o título, talvez; seguramente estar no pódio, pelo menos.
O Sporting tem jogadores para pelo menos isso e Jesualdo Ferreira é suficientemente bom naquilo que um treinador tem de ser bom para o almejar – e para o conseguir.
Mas isto não leva a que considere esta mudança positiva. Ou melhor, é-o apenas na medida em que o cenário é hoje melhor que anteriormente (sabemos todos que era péssimo); não o é estruturalmente, para mim – não considero que seja uma solução suficientemente próxima da ideal (que, essa, será sempre utópica). Não só esta mudança não teria sido a minha, como, respeitando-a, a acho um equívoco que trará problemas para a organização do futebol no futuro. E vou explicar porquê.
Jesualdo Ferreira chegou ao Sporting com uma função que não é de todo desconhecida (já existiu no Passado existe actualmente no Sporting noutras áreas do futebol – futebol formação) mas que é pouco usual no futebol sénior dos clubes. E será talvez ainda menos usual ser publicamente assumida. Mas não é, como aliás disse no artigo anterior, uma função errada. É uma função que faz sentido, um modelo de gestão que se percebe mas que foi implementado num contexto complicado. Possivelmente, Vercauteren limitou (e com naturalidade) as funções de Jesualdo, o que levou a que os comportamentos da equipa de futebol continuassem inalteráveis. Mas o ponto que aqui queria referir é que Jesualdo chegou ao Sporting para ser o homem forte do futebol e ter autonomia de decisões sobre todo o futebol. Teve predefinida uma abrangência enorme: não só teria como função delinear os rumos do futebol do Sporting, como também poderia interferir na implementação prática desses rumos. Pelo menos, assim me pareceu.
Não me pareceu que tivesse vontade de vir ser o treinador-principal da equipa. E não me parece que, tendo um poder deste nível, fosse interessante colocá-lo no lugar de treinador principal. Por isso pensei, no momento em que se percebeu que a continuação do treinador belga era um entrave à evolução da equipa, que fosse essa a escolha: Jesualdo, como elemento com um poder alargado e abrangente sobre o futebol do SCP, escolheria um treinador da sua confiança, que cumprisse os requisitos que considera fundamentais, acordando com ele trabalhar da forma que havia idealizado fazer com Vercauteren (e que não chegou a existir, porque a equipa não mudou, nem para melhor – como era provável acontecer – nem sequer para pior – como era pouco provável, mas ainda assim, enfim, possível…).
Ora, para mim, a mudança de cargo de Jesualdo Ferreira traz um problema – por mais que cumpra os requisitos necessários para um treinador principal, e por mais que seja um individuo que continue a ter o mesmo elevado nível de conhecimento e entendimento do futebol, as suas funções anteriores ou ficam esvaziadas (isto é, deixa de haver no Sporting alguém que pense o futebol de uma forma global e abrangente) ou continuam em si depositadas, agora enquanto treinador principal da equipa sénior. Nenhuma opção me parece boa – o Sporting precisa de alguém que pense o seu futebol (ainda pudesse não ter a interferência que JF contava ter na implementação prática, no dia-a-dia, do que idealizava – seria talvez até aconselhável que assim fosse) e esse alguém não pode ser o treinador principal da sua equipa sénior. Melhor dizendo: poder claro que pode, mas não deve.
A minha solução seria portanto Jesualdo Ferreira escolher um treinador da sua confiança para substituir Vercauteren e definir a partir daí se alguns pormenores (ou pormaiores) das suas anteriores funções se manteriam ou não – refiro-me aqui à tal intervenção directa e prática no dia-a-dia do futebol do clube. As ideias gerais, porém, permaneceriam sempre inalteráveis - Jesualdo manter-se-ia como o grande estratega (directo ou indirecto, por assim dizer) do abrangente futebol do Sporting, porque o Sporting necessita de quem o faça exclusivamente e profundamente, e porque haveria para o cargo poucas opções melhores que si próprio.
Jesualdo não durará sempre e o seu legado no Sporting será bom em campo, mas temo que circunstancial – assim que decida terminar a sua carreira de treinador, o Sporting ficará provavelmente na mesma situação em que estava antes da sua entrada: não possuirá nem treinador, nem terá “ferramentas” (ou meios) para ter uma elevadíssima probabilidade de acertar nessa escolha. Não tinha de ser assim, porque o trabalho que Jesualdo poderia fazer noutro cargo, de forma exclusiva e com funções perfeitamente adequadas ao posto, poderia ter como legado um longo período de boas decisões desportivas e futebolísticas.
O Sporting melhorou muito, mas os bons jogos/resultados, que se avizinham, parecem demasiado circunstanciais para o que poderiam estruturalmente vir a ser.
PS - Os negócios de Izmailov/Miguel Lopes e Daniel Carriço. O primeiro foi um mau negócio, o segundo foi igualmente mau. Não estranho que Miguel Lopes no imediato seja uma boa solução (vem trazer à equipa o que ela não tinha) mas penso que, com o tempo, não só o CS lá chegará como irá até mais longe. E a chegada do português implica muito provavelmente a saída de Bruno Pereirinha, que era um solução melhor (e que não seria mais cara). Relativamente a Carriço, não sei se o Sporting está a pagar o salário do Xandão (é provável que esteja) e se o Boulahrouz não tinha propostas. Não acho o segundo um mau jogador, e acho o primeiro um jogador que evoluiu muito desde que chegou (não o fez apenas nos atributos técnicos, que são fundamentais mas onde será sempre medíocre). Porém, Carriço é melhor que qualquer um. E era o capitão, também - um dos maiores símbolos do futebol actual do Sporting, pelo que é a custo que o vejo partir. 750 mil euros justificam 6 meses com Xandão em vez de 6 meses com Carriço?
segunda-feira, 17 de dezembro de 2012
Jesualdo Ferreira e um novo modelo de gestão no futebol
É preciso, da parte de quem dirige (…) capacidade para se
questionar, repensar opções, entender que há pessoas que percebem mais do
fenómeno em causa (futebol). É preciso delinear finalmente um plano, e é
preciso que se dê autonomia de decisão a quem percebe do fenómeno e acredita
nesse plano. É preciso repensar o método de escolha das equipas técnicas. É preciso coragem, porque são muitas as boas decisões que inicialmente são impopulares. E é preciso convicções porque sem elas o Sporting não ganha jogos de futebol de forma sistemática.
Escrevi isto na minha
última mensagem aqui no blogue, há 21 dias atrás. É portanto natural que esteja
satisfeito com a escolha de um gestor técnico para o futebol do Sporting – não podem ser os advogados, os jornalistas e os gestores
financeiros a tomar opções de carácter futebolístico (terão porventura – não
todos – competências para gerir outras áreas, para tomar outro tipo de
decisões: o Sporting é um universo grande mas com especificidades que só quem as domina pode fazer nelas um bom trabalho).
Há um problema neste novo
modelo: a situação actual é para ele pouco propicia. Presumimos, porque não o
sabemos, que o treinador Vercauteren veio para o Sporting preencher
determinadas funções e não esperaria a vinda de alguém que interferisse com o
seu trabalho. Jesualdo fá-lo-á: as declarações de Godinho Lopes do próprio
assim indicam. Esperemos que exista sensibilidade para que o novo coordenador
do futebol do Sporting e Vercauteren não choquem – trabalharem em conjunto
parece-me ser, por si só, um desafio (a qualidade do trabalho será outra
questão).
Passamos então do novo
modelo (e do contexto em que surge) para o novo coordenador de futebol, Jesualdo Ferreira.
O ponto inicial que realço
é a capacidade revelada por Godinho Lopes de ouvir os outros (ou melhor, mais
que ouvir os outros, ouvir/ter em conta a opinião de pessoas inteligentes e conhecedoras do que falam - é um bom princípio).
Sigamos para a assertividade da escolha de JF. Não conheço profundamente Jesualdo, e talvez
por isso (ou não) tivesse outros preferidos para o cargo. Mas conheço minimamente o
trabalho que costuma desenvolver no futebol – e esse é bom, sem ser brilhante.
Sabe organizar e estruturar equipas no campo, conhece a realidade em que vai
trabalhar. Estudou o futebol de forma aprofundada, e isso, ainda que não sendo
garantia de nada (pode-se conhecer as bases, não se sabendo muita
coisa; tal como se pode conhecer a teoria sem se fazer ideia de como a
aplicar à prática – não me parece ser o caso), é positivo.
Espero, portanto, duas
coisas:
1) Que Jesualdo Ferreira consiga relacionar-se bem e trabalhar em conjunto com as equipas técnicas das equipas de futebol do Sporting (sobretudo com a da equipa principal), ajudando-a e sendo assim também ajudado por ela
2) Que dessa cooperação e boa relação resulte um trabalho profícuo e transversal às várias equipas de futebol do Sporting
1) Que Jesualdo Ferreira consiga relacionar-se bem e trabalhar em conjunto com as equipas técnicas das equipas de futebol do Sporting (sobretudo com a da equipa principal), ajudando-a e sendo assim também ajudado por ela
2) Que dessa cooperação e boa relação resulte um trabalho profícuo e transversal às várias equipas de futebol do Sporting
O momento é muito
complicado, e Jesualdo Ferreira não é garantia de ser o que o Sporting precisa
para dar um rumo ao seu futebol. Mas poucos – ou nenhuns – o seriam. E, entre as que conheço, não seriam muitas as pessoas mais habilitadas para tal cargo que o prof. Jesualdo Ferreira.
É o regresso
da coordenação do futebol do Sporting a figuras que o dominam. A pessoas que estão
simultaneamente na sua vertente teórica e prática há muito tempo. E isso - ainda que não chegue - já é muito.
segunda-feira, 26 de novembro de 2012
O (futebol do) Sporting é um deserto:
Quase total. Não apenas de
resultados recentes, mas sobretudo de ideias.
Da parte de quem dirige, não se
percebe muito bem o rumo do futebol – que semelhanças têm Sá Pinto e
Vercauteren? Ou Luís Duque e Paulo Farinha? Existirá algum plano de fundo
quando se acredita e aposta, num curto prazo de tempo, em pessoas de perfil tão
diferente para o mesmo cargo?
Da parte de quem critica, falta o
básico – pensar. Perceber o que se tem feito de mal (fundamental para melhorar)
e o que se tem feito de bom (fundamental para não piorar). Como procurar
construir o que quer que seja, tendo coisa nenhuma como base?
Está-se a aproximar a hora de quem
dirige acertar nas decisões e ter resultados. Porque é a última oportunidade
que terão – o futebol este ano tem tido resultados para lá de péssimos, e é
preciso trazer de novo aos sportinguistas a alegria dos primeiros tempos de
Domingos Paciência ou da campanha europeia de Sá Pinto. Mas com um método menos
“temporário” – um que garanta apenas alegrias “a prazo” já não serve (o tempo
para isso já passou).
Com todo o respeito para
Vercauteren, não é uma opção que pareça a indicada para sucessos duradouros.
Por várias razões - a principal é o deserto de ideias que a equipa de futebol
tem apresentado, a forma como parece sempre pouco unida (este jogo em Basileia
foi muito semelhante ao jogo que o Sporting de Sá Pinto disputou com o Estoril
este ano – jogo esse em que o Sporting abdicou do que de bom vinha fazendo até
aí, ficando só o mau).
É preciso, da parte de quem dirige
(não apenas, mas também porque isso não existe na maioria dos mais acérrimos
críticos) capacidade para se questionar, repensar opções, entender que há
pessoas que percebem mais do fenómeno em causa (futebol). É preciso delinear
finalmente um plano, e é preciso que se dê autonomia de decisão a quem percebe
do fenómeno e acredita nesse plano.
O futebol do Sporting precisa
urgentemente de um rumo. Até ao fim da temporada, seria bom que Vercauteren
elevasse a equipa para níveis mínimos – e isso implicaria ter também ele de ter
as qualidades acima referidas. Chegar à Europa e começar a acertar nas decisões
futebolísticas. Ou dar a vez a outros.
Há portanto para quem
dirige um desafio que pode ser o início desse plano/futuro (sendo
dificilmente mais que isso). Fazer esta equipa evoluir até patamares mínimos e
terminar a temporada sem manchar excessivamente os pergaminhos do futebol do
SCP.
Mas é de seguida necessário escolher um bom treinador (mais que nós, os nossos maiores rivais conhecem, por experiência
própria e actual, a importância que um treinador tem nas prestações da sua
equipa de futebol). E aí é preciso menosprezar os critérios que levaram à
contratação de Vercauteren (estrangeiro, “créditos firmados”, com títulos).
Porque poucos aliam esses critérios a uma capacidade actual para treinar o Sporting
(e quase nenhuns estão disponíveis para o cargo). André Vilas Boas, José
Peseiro e Jorge Jesus são exemplos de treinadores que, quando chegaram a um grande, não eram estrangeiros, não
tinham títulos importantes e não eram garantia de sucesso. Mas eram bons e fizeram um bom trabalho.
Quem dirige deve ter estes exemplos em atenção. Sobretudo num mês em que Carlos Carvalhal, Mauricio Pochettino (Espanhol) e Unai
Emery (Spartak) foram despedidos dos seus clubes (já aqui tinha referido o segundo; e, à data, não imaginava que o primeiro e o último estivessem agora disponíveis).
É preciso repensar o método de escolha das equipas
técnicas. É preciso coragem, porque são muitas as boas decisões que inicialmente
são impopulares. E é preciso convicções porque sem elas o Sporting não ganha jogos de futebol de forma sistemática.
sábado, 27 de outubro de 2012
Mudanças (?)
Haveria muito para comentar quanto
ao futebol do Sporting – jogos e resultados, qualidades deste e daquele
jogador, assertividade desta ou aquela opção. Haveria muito para comentar sobre
o futebol do Sporting nas últimas semanas, mas não o fiz. Não tive vontade de o
fazer. Discutia há tempos com um amigo que a blogosfera era um espaço onde
pessoas como ele teriam talvez duas opções claras: permanecerem e serem um
espaço isolado (diferente) dos demais ou pura e simplesmente a desprezarem,
porque, na sua maioria, não merece o tempo (e os assuntos) que com elxa se
gasta(m).
Gosto muito de discutir o Sporting,
gostaria de ter tido vontade para o fazer aqui – sempre num registo
marcadamente diferente dos demais, porque pensar por mim e não seguir a
corrente é a única coisa que tenho de fazer para que isto possua algum valor
que seja. Repetir o que os outros dizem seria pura e simplesmente gastar tempo,
comentário a comentário, artigo a artigo. Escrever letras mais letras, sem
substância alguma – e as palavras, tanto como o Sporting, não o merecem.
Penso no que a blogosfera trouxe ao
Sporting nos tempos mais recentes, e assusto-me. Parece-me claro que a sua
representatividade tem aumentado. Notei-o particularmente há poucos dias,
quando falava com uma outra pessoa que conheço, fora deste círculo, e ouvia
frases que jurava ter lido “por aí” (não com a mesma forma, claro, mas com
conteúdo muito idêntico).
A conclusão que tiro é que a
blogosfera tira mais do que o que dá ao Sporting – cria uma corrente de opinião
que não é opinião; mas que se alastra; cria um conjunto de ideias, que serão
mais e mais partilhadas por outros, mas que não são ideias (é preciso pensar
para haver ideias, não escrever só). Enfim, entristece-me: há hoje um número
muito significativo de sportinguistas (e por sportinguistas poderia dizer
jovens, ou pessoas, mas a discussão resvalaria para locais que não o mapa em
que o blogue se insere) que sabe tudo sobre tudo, menos pensar e fazer. Os
conhecimentos são infinitos, mas a responsabilidade fica para os outros. As
ideias são certezas, mas não são sequer ideias – conjunto de frases soltas
repetidas até à exaustão que não servem em nada a discussão (porque não servem
de forma alguma o Sporting).
Porque para discutir o expresso no
primeiro parágrafo há tanta gente (e há por aqui tão pouca vontade para o fazer
quando todos o fazem; poucos de forma interessante), foco-me apenas num ponto
que vou comentar porque me parece absolutamente fulcral para o Sporting:
mudanças no CD e entrevista de Godinho Lopes – duas coisas que se relacionam,
logicamente.
Parece-me que em Godinho Lopes há
muita vontade, há empreendedorismo mas tenho dúvidas da sua capacidade de dar a
volta a situação. Se Paulo Farinha Alves é advogado ou pasteleiro é algo que
tem muito pouca relevância quando o ponto crucial desta escolha é a vontade de
Godinho Lopes estender o seu poder de decisão ao futebol (e as saídas de Carlos
Freitas e Luís Duques, saídas que foram provocadas somente por uma vontade de
mudar a organização do futebol sportinguista – outras pequenas razões jamais
seriam suficientes para Godinho Lopes tomar uma medida tão pouco popular:
porque se todas são pouco populares por quem está manifestamente contra as suas
opções, esta é-o também para quem se revia nas ideias/no trabalho que vinha
sendo feito no futebol).
Não sou fã da ideia – não vejo que
modelos presidencialistas sejam solução para o Sporting porque seria preciso
que o presidente em causa fosse não só competente na sua área, como soubesse verdadeiramente
pensar (algo de muito mais difícil do que parece, ainda que algo que levaria a
que as decisões fossem maioritariamente boas não apenas em algumas, mas em
todas as áreas do clube).
E temo o futuro – parece-me que
Godinho Lopes não percebeu o que foi feito de bom nem de mau no futebol (e que
terá tendência para corrigir mais o que foi bem feito que o que foi mal feito);
por outro lado, estou absolutamente seguro que há muito poucos sportinguistas
que o percebem também).
Enfim, por um lado vejo um modelo
que não acho mau (não seria seguramente o meu, como nunca nenhum será o meu; o
que está longe de significar que seja pior) a ruir cada vez mais, e um conjunto
de pessoas que são totalmente incapazes de perceber o que foi bem e mal feito
(o essencial para se corrigir os problemas/erros) a ganharem preponderância e
aceitação na “nossa” sociedade civil.
Por enquanto, estas mudanças serão
pouco visíveis: o treinador já estava escolhido, as mudanças que serão
efectuadas em Janeiro porventura já estavam a ser debatidas. O futebol do
Sporting continuará a ser regido mais ou menos da mesma forma durante uns
tempos. Seguramente com melhores ou piores jogos ao fim-de-semana, mas
estruturalmente só mudará mais tarde. E o meu receio é que, ai, o que é bem pensado
não o continue a ser.
«É possível, porque tudo é
possível» (Jorge de Sena) que o essencial do futebol do Sporting não piore (i.e., se mantenha ou
melhore) – e, não se piorando o essencial, o que tem vindo a falhar acabaria por
se acertar mais cedo ou mais tarde. Só não penso que seja o que seria importante ser – provável.
Penso-o cada vez menos. Ainda assim, não o troco por nada que já “conheça” – ou que
saiba que possa vir a ser uma realidade -. Porque pior é sempre possível – e, neste
caso, atendendo às críticas que são feitas por quem se pode perfilar como possuidores de um caminho alternativo, é também provável.
sábado, 6 de outubro de 2012
Desiludido
Ricardo Sá Pinto, percebemos pelas declarações de quem manda
no Sporting, ainda acreditava na capacidade de inverter os maus resultados e
tornar o futuro melhor do que o passado (recente, e não tão recente quanto
isso). Acreditava ele e eu, que estou desiludido com a opção tomada: muitos dos
resultados recentes não me parecem ser maioritariamente culpa do treinador
(i.e., não me parece por exemplo que a derrota neste jogo com o Videoton, em
que Sá Pinto me parece ter tentado corrigir uma ou outra coisa menos boa do jogo anterior, tenha como principal explicação/causa
um mau trabalho do treinador).
O presidente do Sporting acha que foi o (terrível) trabalho
de Sá Pinto que levou ao 0-3 na Hungria. Eu tenho muitas dúvidas que assim seja.
Parece-me contraditório (ou só estranho) que se defina –
acertadamente - os critérios para a escolha do próximo treinador com base nas
ideias, proposta de jogo, compreensão de futebol e capacidade de potenciar
jovens talentos, quando se demite alguém que tem todas estas características.
Não encontro sentido.
Deixando para trás o que foi o passado de Sá Pinto enquanto
treinador do Sporting (discutir os méritos que supostamente teve nos bons resultados da
temporada passada, ou o demérito que supostamente teve neste fraco começo de época, é
importante mas não o decisivo - esses pontos já não se perdem nem se ganham), não acredito
que existisse melhor opção do que continuar com Ricardo Sá Pinto. Para o jogo
do Dragão e para os jogos seguintes.
Porque me parece difícil que os resultados, no futuro
próximo, sejam suficientemente melhores. Suficientemente melhores para justificar
a perda que é Ricardo Sá Pinto para o futuro do Sporting.
Oxalá se encontre alguém com um perfil pouco distante de Sá Pinto. E se possível, mas só se possível, garanta o êxito imediato que exige quem governa o Sporting - caso contrário, (muito) dificilmente cá ficará. Porque «o Sporting não pode perder mais pontos».
Nota 1 – Um pouco desiludido também com algumas opções/escolhas
de Sá Pinto no jogo com o Estoril. Desiludido também Sá Pinto consigo próprio, por certo. Mas convicto de que acabaria por fazer melhor que qualquer
outro que lhe venha a suceder. Não é para si o fim de linha, porque saberá como alcançar o sucesso no futebol. E muito dificilmente não o alcançará.
Nota 2 - Um empate. Cinco derrotas. Nenhuma vitória. Ter um
mau conjunto de resultados não significa necessariamente ter um mau treinador.
Será possível ter-se sucesso acreditando no contrário? Com alguma sorte,
talvez. (Mas) é tudo uma questão de probabilidades… Às vezes há surpresas e, mais que os adversários, o Sporting merece-as.
sábado, 29 de setembro de 2012
Preocupado
Os últimos jogos (antes do encontro
com o Gil Vicente) traziam-me frustração, mas também esperança. O jogo de
segunda-feira trouxe-me um misto de esperança com alguma preocupação (era
fundamental encontrar um meio-termo entre o que a equipa vinha fazendo antes
desse jogo, e o que fez aí – que não foi de todo o ideal).
Hoje, estou
preocupado.
Preocupado pela revolução que Sá
Pinto operou na estrutura da equipa; preocupado pelos jogadores que tem
constantemente deixado de fora (por mais que todas as opções sejam aceitáveis, Daniel
Carriço, André Martins, Adrien e Jeffren fazem muita falta à equipa, no
relvado, e desde o minuto 0).
Felizmente, Sá Pinto deu, durante e
depois do jogo, indícios de que percebeu que há algumas apostas que devem ser
feitas (indícios que espero terem… continuidade).
Resta perceber se compreenderá
exactamente o que falhou, e se será capaz de garantir à equipa uma estrutura
sólida que permita aos (muitíssimo bons) jogadores do Sporting explorar todo o
seu potencial.
Eu acredito, mas o jogo de
hoje foi um duro golpe.
Subscrever:
Mensagens (Atom)
